Ir de carro não muda nada
Os requisitos de importação se aplicam ao animal e ao país onde ele entra, não ao veículo em que ele chega. Um cachorro que atravessa a ponte de Detroit para Windsor enfrenta as mesmas condições de um que chega a Toronto de avião. Travessias terrestres parecem informais porque não há balcão de check-in, nem terminal de carga, e muitas vezes nem um fiscal de animais visível — e é justamente essa informalidade que pega as pessoas desprevenidas. Os agentes num posto rodoviário pedem documentos sim, e a solução quando falta algo é a recusa de entrada, que numa fronteira terrestre significa dar meia-volta com o carro e resolver o problema do outro lado.
Entrando nos Estados Unidos por rodovia
O CDC exige um Dog Import Form preenchido para todo cachorro que entra nos Estados Unidos, seja como chegar: de carro, a pé, de balsa ou de avião. Você preenche online pouco antes da viagem e leva o comprovante, que traz um código QR, impresso ou no celular. O cachorro precisa aparentar pelo menos seis meses de idade, estar identificado com um microchip ISO e parecer saudável na inspeção. Cães vindos de um país que o CDC classifica como de alto risco para raiva canina enfrentam condições extras, incluindo registros de vacinação que a agência aceite e, em alguns casos, chegada só por um porto aprovado. Gatos não precisam do formulário do CDC, mas precisam aparentar saúde.
Entrando no Canadá por rodovia
O Canadá pede um certificado de vacinação antirrábica válido para cães e gatos com mais de três meses, escrito em inglês ou francês. Ele precisa ser assinado por um veterinário licenciado e identificar o animal — raça, cor, peso — junto com o produto usado, a data de aplicação e a data de validade. O microchip não é obrigatório para entrada vinda dos Estados Unidos, mas o certificado precisa descrever o animal de forma detalhada o bastante para um agente confirmar a identidade. Filhotes com menos de três meses e qualquer movimentação que conte como comercial caem em regras mais rígidas. Espere pagar uma taxa de inspeção e mantenha o certificado original na cabine do veículo, não numa mala no porta-malas.
A fronteira mexicana nos dois sentidos
O México não exige mais um atestado de saúde de rotina para cães e gatos vindos dos Estados Unidos e do Canadá. O SENASICA inspeciona o animal na travessia, confere se ele parece saudável e livre de parasitas externos, e emite o próprio documento. Levar um registro de vacinação recente e um atestado do veterinário mesmo assim não custa nada e resolve a maioria das dúvidas rapidamente. Voltar para o norte é o sentido mais exigente, porque o Dog Import Form do CDC se aplica a um cachorro reentrando nos Estados Unidos mesmo quando ele mora lá e saiu uma semana antes. Preencha o formulário antes de voltar de carro, e confira o prazo de validade no comprovante em vez de supor que ele vale para sempre.
Travessias internas na UE e no espaço Schengen
Normalmente não há posto com fiscal entre a França e a Espanha, ou entre a Alemanha e a Áustria, o que tenta a gente a achar que nada se aplica. O esquema continua valendo. Um cão, gato ou furão que se move entre países da UE precisa de microchip ISO, vacina antirrábica aplicada depois do chip e com pelo menos 21 dias antes da primeira travessia, e um Passaporte de Pet da UE ou, para quem não é residente, um atestado de saúde animal. Polícia e alfândega fazem fiscalizações móveis em rodovias, terminais de balsa e trens. Irlanda, Finlândia, Malta e Noruega também exigem tratamento contra a tênia aplicado por veterinário em cães, entre 24 e 120 horas antes da chegada, e esse item é conferido no ponto de entrada.